Um dos livros mais bonitos que li nos últimos tempos. E Doris, a protagonista, entrou directamente para aquela minha estante de personagens literários especiais, onde já estão Emmerence, Sr.Silva, Ove, Férmin, Adriàn, entre outros.
Este livro parte de uma agenda - a agenda vermelha - onde Doris, a nossa protagonista, com 96 anos, tem registado o nome de todas as pessoas que marcaram a sua longa vida. E à medida que vai recordando cada uma dessas pessoas, vai-nos contando a sua história, desde os tempos em que foi manequim em Paris até à partida para Nova Iorque e, mais tarde, o regresso à sua adorada Suécia.
Mas este livro é muito mais do que isso. É uma reflexão sobre o fim da vida, sobre a solidão que fica quando todos vão embora antes de nós, sobre a velhice nua e crua, com tudo o que ela acarreta. E quem me conhece sabe o quanto este assunto me deixa emocionada.
Por outro lado, Doris fez-me recordar a minha querida avó Micas e tudo aquilo que não tivemos de tempo de viver. Todas as histórias que ela não teve tempo de me contar. Todos os segredos que não pude partilhar com ela. Como Doris e Jenny (a sua sobrinha-neta).
Gostei tanto deste livro. E é uma excelente sugestão para este início de Outono, em que os dias começam a minguar e sabe bem recolher mais cedo e aninharmo-nos no sofá com esta história deliciosa e uma chávena de chá por perto.
Mais uma vez, agradeço à Porto Editora por me ter proporcionado mais uma leitura que ficará a ecoar no meu coração durante muito, muito tempo.
Quem ficou com vontade de conhecer a apaixonante Doris?

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