No início de Novembro, decidi que iria voltar a Saramago.
Ler as obras que me faltam ler e reler outras, agora à luz de um outro
entendimento e maturidade. Desta vez, calhou-me na rifa a Jangada de Pedra,
esta obra tão aclamada e, de facto, exímia.
Imaginem que a Península Ibéria, sem mais nem porquê, se
separa do resto da Europa e parte à deriva, Oceano Atlântico fora, em direcção
à América. Imaginem que cinco pessoas - três portugueses, um andaluz, uma
galega e um cão - na precisa hora em que os Pirenéus começa a abrir ao meio,
experienciam uma espécie de fenómeno paranormal, ao mesmo tempo. Imaginem agora
que essas cinco pessoas, tão diferentes e tão iguais, e o cão, se encontram,
por arte e obra do destino, e partem juntos numa viagem pela Península,
enquanto a própria Península viaja também. Está lançado o mote para mais uma
narrativa que nos enche as medidas e nos faz mergulhar no fantástico mundo
Saramaguiano.
Com a sua reflexão irónica e sagaz sempre presente,
Saramago confronta-nos, uma vez mais, com a condição humana e com as suas
acções/reacções face aos acontecimentos mais insólitos. O comportamento dos
povos, dos governos, da Europa e da América, são aqui esmiuçados de uma forma
que conseguiu (como acontece sempre) arrancar-me aquele meu típico sorriso de
ironia (e também de paixão pela escrita deste Senhor).
O término desta obra deixou-me assim com o coração
apertado. Queria continuar a navegar juntamente com a Península, embrenhada nas
aventuras e desventuras dos cinco amigos (e do cão). E quando fico com esta
sensação agridoce, é bom sinal, é um excelente sinal, pois só prova o quanto uma
obra me marcou.
E como já disse, voltar a Saramago é voltar a casa, ao meu
lugar de inquietação permanente que me faz olhar o mundo para além das cortinas
de brilhos que, tantas vezes, me/nos colocam à frente.
Qual será a minha próxima leitura Saramaguiana? A seu
tempo, a seu tempo saberão!
E por aí, quem já leu este livro do nosso Saramago? Qual a
vossa opinião?

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