Há já algum tempo que tinha curiosidade em ler uma das
obras desta autora da nova geração, e a Porto Editora ajudou-me a cumprir esse
propósito. Confesso que, mal li a sinopse, fiquei com algumas expectativas em
relação a este livro. Será que foram superadas? Continuem a ler para saberem!
O
Bairro das Cruzes relata-nos a estória de Luísa e Rosa, duas primas que
nasceram e cresceram no bairro que dá nome ao livro. Em plena ditadura
salazarista, acompanhamos a infância, adolescência e idade adulta das duas
primas, tão desiguais e, ao mesmo tempo, tão parecidas, unidas por laços de
sangue e pelo próprio bairro, que acaba sempre por puxar para si as almas de
quem ali nasceu.
À
medida que vão crescendo, Rosa e Luísa vão trilhando o seu próprio caminho, por
vezes sem olhar a meios, por vezes desejando apenas amor e redenção. Afastadas
pela vida, o sangue, que acaba, quase sempre, por sobrepor-se a tudo o resto, irá
reuni-las, a espaços, para que nunca se esqueçam desses laços inquebráveis e traiçoeiros.
“Porque o sangue pode pesar tanto quanto a pedra, e pode ser mais pesado do que
uma cruz.”
No
geral, gostei deste livro. Saltou-me logo à vista a semelhança com a tetralogia
A Amiga Genial, de Elena Ferrante. Consegui encontrar alguns paralelismos,
principalmente na dinâmica das personagens. Por outro lado, gostaria que as
personagens Rosa e Luísa tivessem sido mais esmiuçadas. Gostaria de ter podido
conhecê-las melhor, saber das suas emoções mais profundas, deslindar as suas
sombras e fantasmas, tentar perceber as suas atitudes. Mas isso sou eu, que
gosto de sorver as personagens como se de pessoas reais se tratasse.
Em
suma, posso dizer que recomendo este livro. Além de ser uma estória de família,
aborda um dos períodos mais negros da história do nosso país, a malfadada
ditadura.
Resta-me
agradecer, uma vez mais, à Porto Editora, por me ter proporcionado mais esta
leitura.
E
desse lado, quem já conhecia o trabalho desta autora? Já leram este livro?
Contem-me!

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