O Bairro das Cruzes || Susana Amaro Velho




Há já algum tempo que tinha curiosidade em ler uma das obras desta autora da nova geração, e a Porto Editora ajudou-me a cumprir esse propósito. Confesso que, mal li a sinopse, fiquei com algumas expectativas em relação a este livro. Será que foram superadas? Continuem a ler para saberem!

O Bairro das Cruzes relata-nos a estória de Luísa e Rosa, duas primas que nasceram e cresceram no bairro que dá nome ao livro. Em plena ditadura salazarista, acompanhamos a infância, adolescência e idade adulta das duas primas, tão desiguais e, ao mesmo tempo, tão parecidas, unidas por laços de sangue e pelo próprio bairro, que acaba sempre por puxar para si as almas de quem ali nasceu.

À medida que vão crescendo, Rosa e Luísa vão trilhando o seu próprio caminho, por vezes sem olhar a meios, por vezes desejando apenas amor e redenção. Afastadas pela vida, o sangue, que acaba, quase sempre, por sobrepor-se a tudo o resto, irá reuni-las, a espaços, para que nunca se esqueçam desses laços inquebráveis e traiçoeiros. “Porque o sangue pode pesar tanto quanto a pedra, e pode ser mais pesado do que uma cruz.”

No geral, gostei deste livro. Saltou-me logo à vista a semelhança com a tetralogia A Amiga Genial, de Elena Ferrante. Consegui encontrar alguns paralelismos, principalmente na dinâmica das personagens. Por outro lado, gostaria que as personagens Rosa e Luísa tivessem sido mais esmiuçadas. Gostaria de ter podido conhecê-las melhor, saber das suas emoções mais profundas, deslindar as suas sombras e fantasmas, tentar perceber as suas atitudes. Mas isso sou eu, que gosto de sorver as personagens como se de pessoas reais se tratasse.

Em suma, posso dizer que recomendo este livro. Além de ser uma estória de família, aborda um dos períodos mais negros da história do nosso país, a malfadada ditadura.

Resta-me agradecer, uma vez mais, à Porto Editora, por me ter proporcionado mais esta leitura.

E desse lado, quem já conhecia o trabalho desta autora? Já leram este livro? Contem-me!

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