Li este livro entre ontem e hoje, em menos de 24 horas. Se o início me pareceu confuso, agora que o terminei consigo compreender o porquê de ter sido o vencedor do prémio Leya 2011.
Este livro, que tem início com uma morte estranha, vai-se desenrolando no seio de três gerações de uma família - Augusto, António e Duarte - com trajeitos peculiares, tendo como pano de fundo a ditadura salazarista, a guerra colonial (e os traumas que ela deixou nos soldados) e o pós 25 de Abril. E está configurado o cenário para uma história estranha e, ao mesmo tempo, absorvente e inquietante.
Há também a música, transversal ao livro, ainda que como base para que outros assuntos se edifiquem. Há uma passagem que me tocou particularmente:
Duarte, graças a Deus, desistiu precisamente nesse momento: no momento em que estava prestes a tornar-se igual à música que tocava. No momento em que estava disposto a tudo. Disposto a amputar de si próprio o que fosse preciso.
Não vou explicar porquê, porque isso é demasiado meu. Posso apenas dizer que o bom deste livro foram, precisamente, essas ideias aparentemente atiradas ao ar mas que deixam o leitor a pensar e repensar e remoer até à exaustão. E como eu gosto disso.
Resumindo, apraz-me dizer que um livro não é como começa e sim como acaba. Como em tanto na vida.
Mais uma obra que recomendo, sem dúvida. E mais um autor português que vale a pena ler.

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