Este livro é mais um conjunto de contos, estilo preferido de Maria Judite, que o fazia tão bem. Tal como em Tanta Gente, Mariana, todos estes contos estão escritos de forma simples, porém carregados de emoção. As suas personagens são maioritariamente mulheres (outra característica de Maria Judite). Mulheres que vivem na mais profunda solidão, sentindo vazios quase insuportáveis. Mulheres incompreendidas, presas num sistema que não aceitam e não as aceita, ansiando soltar as amarras mas, ao mesmo tempo, perdidas dentro de si mesmas, sem saber que direcção seguir.
A solidão e a melancolia femininas são temas centrais e transversais a todos os contos de Maria Judite. Há mesmo momentos em que creio que estes contos têm muito (muito mesmo) de auto-biográfico. Pelo que pesquisei, também Maria Judite foi uma mulher profundamente melancólica, triste até, lutando contra vazios que sentia dentro de si. E, na minha opinião, é esse intrincado denso de emoções que confere uma rara beleza à sua obra.
Foi mais uma leitura que me encheu o coração e me faz continuar a querer conhecer mais e mais a obra desta autora que, infelizmente, não foi devidamente reconhecida em vida. Cabe-nos a nós, leitores, dar-lhe esse reconhecimento e mostrar ao mundo as suas obras.
Escusado será dizer que recomendo muito, muito, muito mais este livro. Dêem uma oportunidade a Maria Judite de Carvalho. Acredito que não se irão arrepender.
Agora contem-me, já conhecem ou já leram Maria Judite de Carvalho?

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