Um Postal de Detroit || João Ricardo Pedro



Depois de ter lido O Teu Rosto Será o Último, o qual gostei muito, tinha expectativas muito elevadas relativamente a este livro. E caíram todas por terra.

Partindo do acidente ferroviário que aconteceu em Alcafache, em 1985, e do desaparecimento de Marta que, ao que tudo indica, seguia num dos comboios, o narrador (e irmão de Marta) tenta contar a história da irmã, através dos seus cadernos de desenho. O ponto de partida é óptimo e teria tudo para ser uma história marcante e bem conseguida. No entanto, não é isso que acontece (pelo menos, aos meus olhos). E porquê? Porque facilmente nos esquecemos desta história central (e da Marta e da sua família), uma vez que o narrador parece dar mais importância a outras personagens e às suas histórias que, na minha opinião, não são assim tão interessantes. A páginas tantas, já nem sabemos quem são os personagens principais e qual a relevância daquele que parecia ser o tema central da narrativa.

Por um lado, até consigo perceber o ponto de vista do autor. Talvez ele queira expressar demasiadas emoções num só livro, munindo-se, para isso, de várias personagens. Contudo, tornou-se extremamente cansativo estar sempre a saltar de personagem em personagem, de acontecimento em acontecimento, sem um fio condutor plausível ou interessante.

Terminar este livro foi difícil. Só não o abandonei a meio pois estava sempre na esperança de que melhorasse a determinado momento. Mas não. E cheguei ao fim extremamente cansada, extenuada mesmo. E vazia, pois nada me ficou, o que me deixa realmente triste.

Porque estou, então, a partilhar a opinião sobre um livro do qual não gostei? Não sei. Talvez para tentar que alguém que já leu este livro possa elucidar-me sobre o mesmo. Por isso, se alguém por aqui já leu esta obra, partilhe comigo a sua opinião. Terei sido a única a não gostar? Ou não o terei lido no momento certo?

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