As aves não têm céu || Ricardo Fonseca Mota


Mais um jovem autor português, o qual não conhecia, embora este seja já o seu segundo livro (o primeiro é Fredo, obra premiada com o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís 2015). Quando a Porto Editora me deu a conhecer esta novidade, fiquei deveras curiosa, não fosse eu admiradora confessa de autores portugueses e do que de bom por cá se faz.

As aves não têm céu apresenta-nos a história de Leto, um homem só e atormentado pela culpa e pelo desespero, e das poucas pessoas com quem ele convive nos seus dias e noites marcados por uma quase loucura. Depois de ter perdido a filha de uma forma brutal, Leto entrega-se à tristeza e à solidão, à raiva e à dor, à vontade de morrer e à necessidade de manter-se vivo para poder sofrer todas as dores que ele acredita merecer. No fundo, estamos perante um homem no limite. No limite da dor, da raiva, da revolta, da culpa. No limite de si próprio. E, como sabemos, o limite de nós próprios pode ser um lugar muito assustador.

Quem já me acompanha há algum tempo, sabe o quanto eu gosto de obras carregadas de melancolia e reflexões sobre a vida e a morte. É uma forma de eu própria fazer as minhas catarses (integrar, reflectir e libertar). Esta obra (que por diversas vezes me fez lembrar as narrativas de João Tordo e Paul Auster), apesar de se encaixar nesse género, não me tocou particularmente. Não consegui sentir empatia com nenhum dos personagens, nem com as suas dores. Não consegui adentrar a estória, creio que foi isso. Porquê? Não sei, talvez por, lá está, estar um pouco saturada de obras pesadas nos últimos tempos.

Contudo, não deixo de recomendar a leitura deste livro. Principalmente por ser um autor português e porque considero importante apoiar os nossos autores.

Resta-me agradecer à Porto Editora por, uma vez mais, ser parceira nas minhas descobertas literárias.

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