Mais um jovem autor português, o qual não conhecia,
embora este seja já o seu segundo livro (o primeiro é Fredo, obra premiada com
o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís 2015). Quando a Porto Editora me deu a
conhecer esta novidade, fiquei deveras curiosa, não fosse eu admiradora
confessa de autores portugueses e do que de bom por cá se faz.
As aves não têm céu apresenta-nos a história de Leto, um
homem só e atormentado pela culpa e pelo desespero, e das poucas pessoas com
quem ele convive nos seus dias e noites marcados por uma quase loucura. Depois
de ter perdido a filha de uma forma brutal, Leto entrega-se à tristeza e à
solidão, à raiva e à dor, à vontade de morrer e à necessidade de manter-se vivo
para poder sofrer todas as dores que ele acredita merecer. No fundo, estamos
perante um homem no limite. No limite da dor, da raiva, da revolta, da culpa.
No limite de si próprio. E, como sabemos, o limite de nós próprios pode ser um
lugar muito assustador.
Quem já me acompanha há algum tempo, sabe o quanto eu
gosto de obras carregadas de melancolia e reflexões sobre a vida e a morte. É
uma forma de eu própria fazer as minhas catarses (integrar, reflectir e
libertar). Esta obra (que por diversas vezes me fez lembrar as narrativas de
João Tordo e Paul Auster), apesar de se encaixar nesse género, não me tocou
particularmente. Não consegui sentir empatia com nenhum dos personagens, nem
com as suas dores. Não consegui adentrar a estória, creio que foi isso. Porquê?
Não sei, talvez por, lá está, estar um pouco saturada de obras pesadas nos
últimos tempos.
Contudo, não deixo de recomendar a leitura deste livro.
Principalmente por ser um autor português e porque considero importante apoiar
os nossos autores.
Resta-me agradecer à Porto Editora por, uma vez mais, ser
parceira nas minhas descobertas literárias.

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