Mais uma obra que deu cabo
de mim. Ainda não refeita de uma das últimas leituras, também ela duríssima,
decidi ler esta obra e fiquei, uma vez mais, emocionalmente esgotada.
É-me difícil encontrar
palavras para escrever sobre este livro. Logo eu, que sou de palavras, não
consigo encontrar as certas para traduzir o que sinto neste momento. Tristeza,
melancolia, raiva gritante, inconformismo, revolta, tudo emoções e sentimentos
que esta história provocou em mim. Porque é a história de uma das épocas mais
negras, mais horríveis, do nosso país. Porque é a história dos nossos
antepassados, pais e avós e bisavós, que viveram num Portugal profundo,
definhado, metido para dentro, pobre de espírito e de razão, um Portugal com
medo, a tremer de medo, um Portugal calado até às entranhas, salvo aqueles que,
mesmo no silêncio sepulcral, ousaram gritar.
Este livro é precisamente
um relato do que se passou nesse época tenebrosa e vergonhosa. É a história e a
tristeza profunda de uma mulher e mãe, que perdeu o marido para as garras da pide
(desculpem, mas não consigo escrever isto em maiúsculas) e o filho para a
guerra do ultramar. É o desespero profundo de uma mulher que só queria ser
livre e se vê afogada num mar de privações, de dor e de uma raiva gritante que
conseguimos sentir na pele.
Durante esta leitura, foram
muitas as vezes em que tive de parar, respirar fundo e conter a náusea. E isto
não é muito comum em mim. Tenho uma certa resistência a histórias duras, mas
esta mexeu comigo de uma forma visceral. Não sei bem porquê, ou talvez até
saiba, mais isso são já outros quinhentos.
Para finalizar este meu
relato, deixo-vos com um excerto, que vos dará um pequeno vislumbre daquilo que
podem encontrar neste livro:
“Acordar de noite e lutar
contra o mar. Impor, sobrepor, a minha voz à sua. Acima do seu canto o meu
grito, mais alto que a sua música a minha raiva, o meu choro, a minha
discordância. Atirar pedras, facas, contra o mar. Fechar contra ele todas as
portas e janelas. Contra o seu infinito a minha finitude.”
Resta-me agradecer à Porto Editora, por me ter disponibilizado esta obra. Foi uma leitura marcante,
que não esquecerei tão cedo. E é claro que recomendo muito a sua leitura.
Apesar da sua densidade, são estas leituras que nos fazem reflectir, que nos fazem
recordar a história para não voltar a repeti-la.

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