Todos os Nomes || José Saramago


A minha viagem pelo mundo Saramaguiano continua. E continua muito bem. Desta feita, foi esta a obra escolhida para me acompanhar nos últimos dias. Ainda não tinha lido e posso dizer que adorei.

Nesta obra, acompanhamos o Sr. José, auxiliar de escrita da Conservatória Geral do Registo Civil, instituição de suma importância, na sua demanda em busca de uma mulher desconhecida, cujo verbete de registo encontra, por acaso, numa das suas incursões nocturnas à Conservatória, a fim de continuar a sua colecção de registo de figuras famosas. Não se assustem com a complexidade aparente desta narrativa, pois a mesma é até bastante simples e fluida. Reflectindo melhor, não tão simples assim, ou não estivéssemos nós a falar do nosso Nobel.

Mais do que a busca do Sr. José (com os seus pensamentos para lá do obsessivo) por uma desconhecida, aquilo que realmente esta obra nos mostra é a fuga de um homem da sua própria solidão. Porque a solidão (que não confundamos com solitude) é dolorosa. Instala-se de mansinho, confundindo-nos os sentidos e, quando damos por ela, já se apoderou de tudo o quanto em nós existe, ao ponto de ocupar quase todo o ar de que dispomos para respirar. E quando assim é, a única solução é fugir. Fugir para a frente, munindo-nos das desculpas ou missões mais estapafúrdias, tudo em prol de uns escassos momentos de excitação e vontade de viver.

É mais uma obra belíssima, que me deixou completamente enovelada numa nuvem de contentamento. Só não queria que tivesse chegado ao fim. Não queria ter deixado o Sr. José e a mulher desconhecida e a senhora do rés-do-chão direito e até o execrável conservador entregues outra vez à sua solidão.

Assim sendo, só posso recomendar muitíssimo a leitura deste livro do nosso Maior, que nunca desilude.

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