Esta foi a minha leitura de
estreia com este autor português. Há já algum tempo que Gonçalo M. Tavares “pairava”
sobre a minha estante e então, neste início de ano, decidi ler uma das suas
obras. Mas será que esta obra foi uma boa escolha para ser a pioneira?
Neste livro, acompanhamos a
demanda de Hanna, uma menina com trissomia 21 perdida na rua à procura do pai,
e de Marius, o homem com pressa e cheio de fantasmas à sua volta, que decide
ajudá-la. Esta é, supostamente, a estória central (se é que podemos dizer que
esta obra tem uma estória central). Supostamente porque, ao longo do percurso
de Hanna e Marius, vamos encontrando, tal como eles, um rol de personagens
peculiares, cada qual com a sua própria história, todas elas inclusas num dos
períodos mais marcantes da história comum de todos nós. Confuso? Talvez. Foi
precisamente assim que me senti quando cheguei ao fim, com a sensação de que
não tinha conseguido apreender esta obra no seu todo.
No entanto, se me pedissem
para descrever este livro de forma sucinta, eu diria que é uma mistura de
ternura e crueza. A dócil Hanna contrastando com a crueza de um mundo que não
compreende e que não a compreende. Ademais, todo este livro, para quem é dado a
reflexões como eu, é uma fonte inesgotável de metáforas e alusões pouco óbvias.
Dei por mim a voltar atrás algumas vezes, para tentar apreender o verdadeiro
sentido das palavras (e nem sempre tive sucesso).
Em suma, posso dizer que gostei
desta obra, desta estória e da história nela contida. Tenho feito leituras
bastante densas, e esta talvez não tenha vindo na melhor altura, pois agigantou
essa minha melancolia. Contudo, recomendo muito a sua leitura e estou muito curiosa
para ler outras obras de Gonçalo M. Tavares.
Assim sendo, se já leram
outros livros deste autor, deixem-me as vossas sugestões. E se já leram esta
obra em particular, partilhem comigo a vossa opinião, pode ser?

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